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O EXERCÍCIO DA CRÔNICA
Ficha do Texto

FICHA DO TEXTO

1. Nível das questões: médio e superior.

2. Finalidade: vestibulares e concursos.

3. Quantidade de questões: dez.

4. Tópicos gramaticais abordados: análise de texto, análise sintática, acentuação gráfica, uso de pronomes relativos, emprego de O ou LHE, obediência à norma culta da língua, concordância nominal e verbal.

5. Assessoria técnico-gramatical: João Batista Gomes (batista@linguativa.com.br)

Leitura

O Exercício da Crônica

Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, de preferência colhido no noticiário matutino, ou da véspera, em que, com as suas artimanhas peculiares, possa injetar um sangue novo. Se nada houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que, através de um processo associativo, lhe surja de repente a crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida emocionalmente despertados pela concentração. Ou então, em última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o inesperado.

Alguns fazem-no de maneira simples e direta, sem caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali desses pequenos achados que são a sua marca registrada e constituem um tópico infalível nas conversas do alheio naquela noite. Outros, de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde como num convite ao sono: a estes se lê como quem mastiga com prazer grandes bolas de chicletes. Outros ainda, e constituem a maioria, "tacam peito" na máquina e cumprem o dever cotidiano da crônica com uma espécie de desespero, numa atitude ou-vai-ou-racha. Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre infundir vida e alegria em seus leitores e há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio não só quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a própria personalidade atrás do que dizem e, em contrapartida, os vaidosos, que castigam no pronome na primeira pessoa e colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as situações. Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo, todos estes "marginais da imprensa", por assim dizer, têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as espicaçam; este é lido por puro deleite, aquele por puro vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica, e o cronista afirma-se cada vez mais como o cafezinho quente seguido de um bom cigarro, que tanto prazer dão depois que se come.

Coloque-se porém o leitor, o ingrato leitor, no papel do cronista. Dias há em que, positivamente, a crônica "não baixa". O cronista levanta-se, senta-se, lava as mãos, levanta-se de novo, chega à janela, dá uma telefonada a um amigo, põe um disco na vitrola, relê crônicas passadas em busca de inspiração - e nada. Ele sabe que o tempo está correndo, que a sua página tem uma hora certa para fechar, que os linotipistas o estão esperando com impaciência, que o diretor do jornal está provavelmente coçando a cabeça e dizendo a seus auxiliares: - "É... Não há nada a fazer com Fulano..." Aí então é que, se ele é cronista mesmo, ele se pega pela gola e diz: - "Vamos, escreve, ó mascarado! Escreve uma crônica sobre esta cadeira que está aí em tua frente! E que ela seja bem feita e divirta os leitores!" E o negócio sai de qualquer maneira.

O ideal para um cronista é ter sempre uma ou duas crônicas adiantadas. Mas eu conheço muito poucos que o façam. Alguns tentam, quando começam, no afã de dar uma boa impressão ao diretor e ao secretário do jornal. Mas se ele é um verdadeiro cronista, um cronista que se preza, ao fim de duas semanas estará gastando a metade do seu ordenado em mandar sua crônica de táxi - e a verdade é que, em sua inocente maldade, tem um certo prazer em imaginar o suspiro de alívio e a correria que ela causa quando, tal uma filha desaparecida, chega de volta à casa paterna. (Vinícius de Moraes. Para viver um grande amor. 1962)

Exercícios

01. (FGV) Assinale a alternativa que NÃO é explicitada pelo texto de Vinícius de Moraes.

a) O cronista aborda o fazer literário.

b) O enfoque jornalístico da crônica está presente.

c) O cronista deve procurar seduzir o leitor para o seu texto.

d) O cronista apregoa a mediocrização textual de certas crônicas.

e) O cronista focaliza a diversidade textual do gênero crônica.

02. (FGV) A crônica de Vinícius de Moraes NÃO manifesta:

a) o compromisso do cronista com o seu ofício;

b) a angústia do cronista em relação à sua produção textual;

c) a aceitação crescente da crônica por parte do público leitor de jornais;

d) o apontar aspectos limitativos exteriores que perturbam a atividade do cronista;

e) o escrever sobre a fugacidade do cotidiano para salvar do esquecimento o fato efêmero.

03. (FGV) No trecho "Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista", o segundo período estabelece com o primeiro uma relação de:

a) condição;

b) comparação;

c) explicação;

d) contraste.

e) concessão.

04. (FGV) A palavra mesmo pode apresentar vários significados. Seu valor significativo em "se ele é cronista mesmo" (fim do terceiro parágrafo) repete-se em uma das alternativas seguintes. Assinale-a.

a) Ele está mesmo mais magro.

b) Fui assaltado mesmo em frente de casa.

c) Mesmo ele fez boa prova.

d) Mesmo sonolento, foi à festa.

e) Moram no mesmo prédio.

05. (FGV) Assinale a alternativa em que NÃO ocorrem termos coordenados entre si.

a) "Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino."

b) "Senta-se ele diante de sua máquina, acende um cigarro..."

c) "este é lido por puro deleite, aquele por puro vício."

d) "Ele sabe que o tempo está correndo, que a sua página tem uma hora certa para fechar..."

e) "...no afã de dar uma boa impressão ao diretor e ao secretário do jornal."

06. (FGV) Assinale a alteração feita que mantém o sentido da oração "se ele é cronista mesmo" (fim do terceiro parágrafo).

a) Ainda que ele seja cronista mesmo.

b) Pois que ele seja cronista mesmo.

c) Uma vez que ele seja cronista mesmo.

d) Desde que ele seja cronista mesmo.

e) Porquanto ele seja cronista mesmo.

07. (FGV) Assinale a alternativa em que ocorre uma concordância verbal INACEITÁVEL em relação à norma culta da língua.

a) Pouco importavam ao cronista a crítica e o elogio.

b) Chegou à editora o texto e uma carta do cronista.

c) Agradava-lhe o ritmo e o estilo do cronista.

d) Obrigavam-me a amizade e o dever criticar aquele seu texto.

e) Faltava-lhe, naquele dia, fatos para escrever sua crônica.

08. (FGV) Assinale a alternativa em que a preposição utilizada antes de cuja NÃO é a correta.

a) Ele é o cronista sobre cuja prosa escrevi alguns artigos.

b) Ele é o cronista de cuja prosa já me pronunciei.

c) Ele é o cronista com cuja prosa mais me entretenho.

d) Ele é o cronista a cuja prosa já fiz reparos.

e) Ele é o cronista por cuja prosa mais me interesso.

09. (FGV) Assinale a frase em que há ERRO no emprego de O ou LHE em relação à norma culta da língua.

a) O cronista não lhe entregou o texto que prometera.

b) A leitura daquela crônica decepcionou-lhe.

c) O cronista o encontrou numa livraria.

d) Eu o admiro como cronista há muito tempo.

e) O conteúdo de suas crônicas o entristecia.

10. (FGV) Assinale a alternativa em que há ERRO no uso do acento indicativo de crase.

a) O leitor dedicava-se à leitura de crônicas.

b) O cronista dava preferência às crônicas de estilo mais elaborado.

c) O cronista produzia seus textos à tardinha.

d) O cronista deve estar atento às situações do cotidiano.

e) O texto da crônica lembrava-lhe à sua infância.

Respostas

01. (FGV) Assinale a alternativa que NÃO é explicitada pelo texto de Vinícius de Moraes.

a) O cronista aborda o fazer literário.

b) O enfoque jornalístico da crônica está presente.

c) O cronista deve procurar seduzir o leitor para o seu texto.

*d) O cronista apregoa a mediocrização textual de certas crônicas.

e) O cronista focaliza a diversidade textual do gênero crônica.

02. (FGV) A crônica de Vinícius de Moraes NÃO manifesta:

a) o compromisso do cronista com o seu ofício;

b) a angústia do cronista em relação à sua produção textual;

c) a aceitação crescente da crônica por parte do público leitor de jornais;

d) o apontar aspectos limitativos exteriores que perturbam a atividade do cronista;

*e) o escrever sobre a fugacidade do cotidiano para salvar do esquecimento o fato efêmero.

03. (FGV) No trecho "Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista", o segundo período estabelece com o primeiro uma relação de:

a) condição;

b) comparação;

*c) explicação;

d) contraste.

e) concessão.

04. (FGV) A palavra mesmo pode apresentar vários significados. Seu valor significativo em "se ele é cronista mesmo" (fim do terceiro parágrafo) repete-se em uma das alternativas seguintes. Assinale-a.

*a) Ele está mesmo mais magro.

b) Fui assaltado mesmo em frente de casa.

c) Mesmo ele fez boa prova.

d) Mesmo sonolento, foi à festa.

e) Moram no mesmo prédio.

05. (FGV) Assinale a alternativa em que NÃO ocorrem termos coordenados entre si.

*a) "Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino."

b) "Senta-se ele diante de sua máquina, acende um cigarro..."

c) "este é lido por puro deleite, aquele por puro vício."

d) "Ele sabe que o tempo está correndo, que a sua página tem uma hora certa para fechar..."

e) "...no afã de dar uma boa impressão ao diretor e ao secretário do jornal."

06. (FGV) Assinale a alteração feita que mantém o sentido da oração "se ele é cronista mesmo" (fim do terceiro parágrafo).

a) Ainda que ele seja cronista mesmo.

b) Pois que ele seja cronista mesmo.

c) Uma vez que ele seja cronista mesmo.

*d) Desde que ele seja cronista mesmo.

e) Porquanto ele seja cronista mesmo.

07. (FGV) Assinale a alternativa em que ocorre uma concordância verbal INACEITÁVEL em relação à norma culta da língua.

a) Pouco importavam ao cronista a crítica e o elogio.

b) Chegou à editora o texto e uma carta do cronista.

c) Agradava-lhe o ritmo e o estilo do cronista.

d) Obrigavam-me a amizade e o dever criticar aquele seu texto.

*e) Faltava-lhe, naquele dia, fatos para escrever sua crônica.

08. (FGV) Assinale a alternativa em que a preposição utilizada antes de cuja NÃO é a correta.

a) Ele é o cronista sobre cuja prosa escrevi alguns artigos.

*b) Ele é o cronista de cuja prosa já me pronunciei.

c) Ele é o cronista com cuja prosa mais me entretenho.

d) Ele é o cronista a cuja prosa já fiz reparos.

e) Ele é o cronista por cuja prosa mais me interesso.

09. (FGV) Assinale a frase em que há ERRO no emprego de O ou LHE em relação à norma culta da língua.

a) O cronista não lhe entregou o texto que prometera.

*b) A leitura daquela crônica decepcionou-lhe.

c) O cronista o encontrou numa livraria.

d) Eu o admiro como cronista há muito tempo.

e) O conteúdo de suas crônicas o entristecia.

10. (FGV) Assinale a alternativa em que há ERRO no uso do acento indicativo de crase.

a) O leitor dedicava-se à leitura de crônicas.

b) O cronista dava preferência às crônicas de estilo mais elaborado.

c) O cronista produzia seus textos à tardinha.

d) O cronista deve estar atento às situações do cotidiano.

*e) O texto da crônica lembrava-lhe à sua infância.

 
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