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LYGIA FAGUNDES TELLES

LYGIA FAGUNDES TELLES

 Lygia Fagundes Telles nasceu em São Paulo (SP), em 19 de abril de 1923.

Filha de Durval Fagundes e D. Maria do Rosário Silva Jardim de Moura (falecidos).

Com 2 anos foi a escritora para Sertãozinho. Muito impetuoso, o pai, promotor e delegado da Polícia, não demora muito no mesmo lugar. Mas embora tenha estado em várias cidades, como Assis, Itatinga e Apiaí, as lembranças de infância de Lygia estão ligadas, sobretudo, a Sertãozinho; e de todas elas, a mais remota e mais viva é a de seu primeiro contato com a morte. 

Quando tinha 5 anos, entrou na igreja como todas as tardes, a fim de roubar cera para fazer bonecos, quando se lhe deparou uma eça no centro da nave. Aproximou-se do estrado e viu, sob o véu, o vulto de um homem macilento. A visão a impressionou fortemente: fugiu da igreja e chegou em casa apavorada. Contou-lhe então a empregada, com tintas negras, o que aquilo significava - revelação que a garota ouviu transida: - E eu também vou ficar assim? Usando outros termos, o pai a esclareceria depois; mas ainda se passaria muito tempo antes da escritora conseguir libertar-se daquela primeira impressão. Aliás, a morte tem sido presença latente na sua obra e o tema central de alguns de seus melhores contos. Fuga, A Recompensa, O Suicídio de Leocádia, A Confissão de Leontina, Os Mortos, O Cactus Vermelho e Natal na Barca, são alguns exemplos. E a escritora conseguiu, com esse tema sem dúvida fascinante, amparado na sobriedade de seu estilo, uma atmosfera às vezes de angústia, às vezes de melancolia, que fazem os seus contos inesquecíveis.

Outra lembrança de infância, ligada à sua passagem por Apiaí, onde se demorou dois anos, é a do morro do Ouro. Ali, certa vez, acharam ouro e a família, de poucas posses, resolveu comprar um pedaço de terra, na esperança de também o encontrar. A garota, que tinha então sete anos, imaginava acordar uma manhã e contemplar, diante de si, o morro resplandecente, numa visão de histórias de fada - o que, infelizmente, nunca aconteceu...

Embora passasse temporadas com o pai, que vivia pelo interior, fixou-se Lygia aos 8 anos na capital de São Paulo, com a mãe. 

Depois de aprender a ler em casa, matriculou-se no Grupo do Arouche, onde ficou quatro anos. Era uma criança atrasada - não tinha base - e sofria porque não conseguia acompanhar a turma.

Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ficou durante 5 anos.

Foi no Instituto de Educação, antiga Escola Normal da Praça, em São Paulo, que começaram suas leituras, em geral desordenadas - folhetins de Perez Escrich, livros de aventuras de Bourroughs e Sabatini, romances policiais. Passava pela vitrina das livrarias e comprava os volumes, entusiasmada pelas capas expressivas, muito coloridas.

Foi também a essa época que começou a escrever os primeiros contos, embora sua primeira história (sobre bruxas e fadas) tivesse imaginado a fascinavam, e sentiu-se no dever moral de inventar-lhe uma, para elevar-se no conceito da empregada. Mas essa narrativa esteve longe de atingir o efeito pretendido.

O primeiro conto Vidoca, que seria incluído em Porões e Sobrados, brotou-lhe espontaneamente.

Enviado para A Cigarra, recebeu prêmio no concurso permanente instituído pela revista, o que a animou bastante.

Em 1937 terminou o curso, e no ano seguinte publicou Porões e Sobrados.

Em 1939, fez o curso pré-jurídico e o curso de Educação Física. Depois ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo e, para custear os estudos, empregou-se na Secretaria da Agricultura.

Foi nesse período de Faculdade que começaram as leituras mais sérias. Conhecendo história literária, já podia fazer seleção e passou a ler traduções dos clássicos - Divina Comédias, Dom Quixote, Paraíso Perdido, leu Os Lusíadas, Os Sertões, todo o Machado de Assis. Conheceu também "os obrigatórios" -  Júlio Diniz, Macedo, Alencar, Eça de Queiroz que considera um dos maiores romancistas do mundo, e que põe ao lado de Tolstoi e Dostoiewsky - também lhe chegou nessa época.

Foi também na Faculdade que conheceu Gofredo Telles, que era seu professor de Direito Internacional Privado e com quem se casaria em 1947.

Em 1949, passou a escrever uma crônica semanal - Crônica do Planalto - para o suplemento "Letras e Artes", do Jornal A Manhã, do Rio, de onde já era antiga colaboradora. No mesmo ano reúne os contos de sua última fase em O Cactus Vermelho. Tal livro, onde já se encontra em pleno domínio do gênero, é muito bem recebido pela crítica. É ainda selecionado pelo "Círculo Literário" e lhe vale o Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras (dividido com Lúcia Benedetti).

Em 1955, publicou seu primeiro romance - Ciranda de Pedra - livro escrito lentamente, e onde faz um corte na alta sociedade paulista, fixando-lhe a desagregação moral. Violento, corajoso, de alto nível, o romance faz grande sucesso de crítica e de venda, tendo-se esgotado em 2 meses a sua primeira edição.

Em fevereiro de 1955, esteve na Europa, passando um mês na França e na Itália. A viagem a atordoou, deixou-a como que flutuando. Em Paris, caminhando pelos Champs Elisées, parecia encontrar-se numa cidade que não existia. Um dia comprou um jornal - Le Soir - para ter contato com a terra, e leu a notícia de que um moço, que conhecera na véspera, matara-se no Bois de Boulogne. O choque sentido fê-la tomar pé na realidade - dando-lhe assim como que uma sacudidela. Paris era real, existia: ali também havia morte, misérias, banalidades.

Em 1960, faz nova viagem ao exterior, desta vez a Moscou, visitando depois a China Socialista.

Em 1969, torna à Europa.

Lygia Fagundes Telles não tem horas certas para escrever. E escreve sempre à mão, só depois passando à maquina os trabalhos. Literariamente, impressiona-se com detalhes. A tragédias, os escândalos, não lhe interessam.

Em 1969, obtém a escritora expressiva vitória: arrebata o Grande Prêmio Internacional Feminino da Nova para Estrangeiros em Língua Francesa, com o conto "Antes do Baile Verde" ( "Avant le Bal Vert", Cannes, França), havendo participado do concurso trezentos e sessenta trabalhos de vinte e uma diferentes nações.

Em 1970, o trabalho aparece em português, com outras histórias, em volume de título homônimo.

Em 1982 é eleita para a cadeira 28 da Academia Paulista de Letras e, em 1985, por 32 votos a 7, é eleita, em 24 de outubro,   para ocupar a cadeira 16 da Academia Brasileira de Letras, fundada por Gregório de Mattos,  na vaga deixada por Pedro Calmon.  Sua posse só ocorre em 12 de maio de 1987. Ainda em 1985 é agraciada com a medalha da Ordem do Rio Branco.

Lygia Fagundes Telles, advogada, contista e romancista.

Casou-se com o professor Goffredo da Silva Telles Júnior. Desse casamento tem um filho, Goffredo da Silva Telles Neto, cineasta. Foi casada depois com o professor e escritor Paulo Emílio Salles Gomes, fundador da Cinemateca Brasileira, falecido em 1977.

Pela sua obra literária recebeu diversos prêmios: Afonso Arinos da Academia Brasileira de Letras (1949); Prêmio do Instituto Nacional do Livro (1958); Prêmio Boa Leitura (1964); Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro (1965); Prêmio do I Concurso Nacional de Contos do Governo do Paraná (1968); Prêmio Guimarães Rosa da Fundepar (1972); Prêmio Coelho Neto da Academia Brasileira de Letras (1973); Prêmio Ficção, da Associação Paulista dos Críticos de Arte (1974 e 1980); Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro (1974); Prêmio do Pen Clube do Brasil (1977); Prêmio II Bienal Nestlé de Literatura Brasileira Contos (1984), e Prêmio Pedro Nava, o Melhor Livro do Ano (1989).

A Rede Globo de Televisão apresenta, em 1993,  dentro da série Retratos de mulher, a adaptação da própria escritora do seu conto "O moço do saxofone", que faz parte do livro Antes do baile verde, num episódio denominado "Era uma vez Valdete".

Escreveu, em parceria com Paulo Emílio Salles Gomes, o livro Capitu, adaptação livre do romance Dom Casmurro em 1993.

Em 1996, estréia o filme As meninas, de Emiliano Ribeiro, baseado em romance homônimo de Lygia.  

Em 1997, participa da série O escritor por ele mesmo, do Instituto Moreira Salles. A editora Rocco adquire os direitos de publicação de toda a obra passada e futura da escritora. 

Em 1998, a convite do governo francês, participa do Salão do Livro da França.

Seu livro Invenção e Memória foi agraciado com o Prêmio Jabuti, na categoria ficção, em 2001.

Agraciada, em março de 2001, com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Brasília (UnB).

 

Obras

1. Porão e sobrado (contos), 1938.

2. Praia viva (contos), 1944.

3. O cacto vermelho (contos), 1949.

4. Histórias do desencontro (contos), 1958.

5. Histórias escolhidas (contos), 1964.

6. O jardim selvagem (contos), 1965.

7. Antes do baile verde (contos), 1970.

8. Seminário dos ratos (contos), 1977.

9. Filhos pródigos (contos), 1978.

10. A disciplina do amor (contos), 1980.

11. Mistérios (contos), 1981.

12. A noite escura e mais eu (contos), 1995.

13. Venha ver o por do sol (contos).

14. Oito contos de amor (contos).

15. Invenção e Memória (contos), 2000 (Prêmio Jabuti).

16. Ciranda de pedra (romance), 1954.

17. Verão no aquário (romance), 1963.

18. As meninas (romance), 1973.

19. As horas nuas (romance), 1989.

20. O jardim selvagem, 1978. (Caso especial - TV Globo)

21. Ciranda de pedra, 1981. (Novela - TV Globo)

22. Era uma vez Valdete, 1993. (Retratos de mulher - TV Globo)

Fontes consultadas

Raimundo de Menezes, Dicionário literário brasileiro, 2. ed. 

Academia Brasileira de Letras, Imortais.

Renard Perez, Escritores Brasileiros Contemporâneos. 2.ª série.

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